.Plágio meu.

Nem sei por que resolvi encarar o jornalismo. Mas me lembro que quando pequena eu escrevia letras muito bregas num caderninho de matemática, aqueles cadriculadinhos, sabe?

Tá, depois passei a ter diário. Inclusive, um tinha a capa da Branca de Neve e Os Sete Anões. Folhinhas verdes, corações desenhados, o nome do moleque no meio. Tinta Bic básica.

Por demais brega. Há pouco tempo ainda o tinha na casa da minha mãe. Porém, da última vez que o li, morri de vergonha: eu era, no mínimo, retardada. Mas o amor infanto-juvenil é isso aí, não é verdade? Então digo que o vivi.

Sempre escrevi bem, mesmo sem saber resumir um parágrafo sequer. Falo demais. Quero detalhar tudo. Nunca consigo achar aquilo menos importante que isso. Então, destaco tudo novamente num texto, com outras palavras. Por vezes, editado e não resumido.

Hoje, digo, neste momento, escrever pra mim, de variadas formas, é plagiar o existente, mas com a minha versão.

Mas, me expresso melhor em sons, do que em linhas. É, eu falo pra caralho e minha vida tem uma vasta trilha sonora.

Não sento pra organizar ideias, não falo quieta no telefone. Estou sempre andando de um lado pro outro pra conseguir me expressar. Com isso vem os gestos. Falo com as mãos também.

Organizo ideias no boteco e torço pra alguém anotá-las, pois são por vezes mirabolantes, modéstia à parte. Até porque, eu sempre deixo pra anotá-las em casa, no dia seguinte. Daí, ao acordar, elas já estão capengas na minha mente, nada tão fabulosa quanto antes.

Não compararia minha forma de (des)organizar ideias, como quem analisa uma equação matemática antes de resolvê-la. Depois que levei bomba nessa matéria no primeiro ano colegial, travei. Nunca mais acertei o resultado de uma simples soma.

Me lembro que a professora me pediu pra ajudar minha melhor amiga, que precisava tirar 10 pra passar de ano. Passamos o final de semana estudando juntas. Eu a ensinei trigonometria. Ensinei tão bem que ela tirou 10 na prova. Eu, zerei. A professora achou que tínhamos trocado de prova. Eu desenvolvia certo, mas o resultado estava errado. Em todas as questões. Enfim, traumatizei e aquela guria melecuda que era ótima em português e matemática ficou só com o português.

Aí veio o jornalismo. Mas era pra ter sido arqueologia. É, eu bem queria ter um pincel em mãos, sair em busca de ossos para limpá-los e fazer cara de “caralho, olha só o que achei!”. Tá, exagerei. Mas queria mesmo ser arqueóloga. Porém, meus pais não tinham (e ainda não tem) grana pra me mandar pro Egito um dia.

Um dia. Esse dia que passou, visto que hoje tenho 30 anos e quem tem que ‘se mandar’ sou eu mesmo.

Daí, resolvi resgatar o que fiz, o jornalismo. Mas do nível de quem é filho da puta e não pensa, apenas usa o plágio como artifício. Eu não vou plagiar, vou escrever coisas aleatórias, pessoas e coralísticas em cima dos posts da mesma. Por puro prazer de perturbar alguém.

E como quem me conhece sabe, criar blog é minha vida. Crio vários, um por dia quase, apenas não os mantenho. Mas esse é especial e terá update quase simultâneo se conseguir.

Farei dele uma vida. A minha vida, baseada na dela.

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2 Respostas para “.Plágio meu.

  1. De onde menos se espera pinta uma ideia. Beijo me liga!

  2. Pingback: .(des)viagem. « Eu maior ainda

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