.A (quase) casa, agora, MEU CANTO.

Era uma casa muito engraçada, TINHA teto, mas não tinha nada. Charmosa, sim. Um sobrado na Lapa. Digo, Alto da Lapa. Em São Paulo, não no Rio de Janeiro. Um bairro acolhedor, familiar e tranquilo, até isso posso dizer.

Desde que conheci e passei a morar no local é difícil pensar em sair, se um dia precisar. Minha rua não tem nada de interessante, é até bem calma, principalmente nos finais de semana. Nos dias úteis uma certa muvuca se forma, aumenta o número de carros, principalmente por que na esquina há um colégio / faculdade / academia, aí já viu, né? Mas nada que incomode ou aborreça. A não ser um moleque que inventa de andar de mobilete ou qualquer coisa que faz um barulho ensurdecedor e irritante após as 23h, por quase todos os dias.

Mas, é o típico bairro de cidade do interior, antigo, pessoas de idade, muita gente já acostumada com os demais moradores e eu ali, ‘caída de paraquedas’, residente há apenas dois anos.

Não se ouve muitas conversas, apenas cumprimentos pela rua – pequena, diga-se de passagem -, mas a sensação é de um cuidado extremo, principalmente em feriados, onde os idosos permanecem e algumas casas ficam vazias. Ao menos, sempre que viajei, na volta alguns vem me dizer o que rolou por ali, que olharam a minha casa e tal. De uma certa forma, dá uma certa segurança. Nunca pensei encontrar um canto assim em São Paulo.

Aqui, assunto recorrente nem pode ser o sexo. Digo isso só por saber a idade da maioria dos moradores, que não é menos de 60. Não que as pessoas de 60 não façam sexo, mas já constatei que tem muita gente viúva (o) ou, sei lá, família mega resguardada. Enfim, sexo aqui é assunto pra quem o pratica.

Moro sozinha, como todos sabem. A princípio, como citei, uma casa que não tinha nada. Por vezes, me dava uma tristeza, angústia, dessas que acontece quando você volta do trabalho e enxerga os poucos móveis deixados pela proprietária só porque foi você quem alugou o apartamento. Atitude bacana, mas ainda assim, não tinha a minha cara, não dava a sensação do abraço e aconchego que eu precisava. Em certos dias, mal me sentia em casa.

Cozinhar nem dava tesão. Só pra mim, que como pouco, fazia comida que durava uma semana quase, sem querer. Mas quando alguém aparecia, cozinhava com prazer toda e qualquer gororoba.

Porém, uma semana antes do carnaval, minha mãe chegou. A presença dela aqui me fez um bem enorme. O objetivo dela, além de passar um tempo comigo, visto que agora nos vemos bem pouco, só quando vou pra ilha, era decorar minha casa, que ela já conhecia e sabia bem que não tinha nada a ver comigo. Bastou um mês pra ela deixar o Meu Canto com a minha cara.

Cozinhar voltou a ser diferente, mágico, mesmo que só pra mim. Falar sobre adaptação na cidade, todos sabem que me adaptei super bem em São Paulo. Eu acho que nasci mesmo no lugar errado, apesar de amar ainda mais a ilha e sentir mais que saudade de todos. Mas adaptada ou não, agora sim, posso dizer que mais que nunca, estou em casa, finalmente.

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